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Insuficiência renal

Insuficiência renal é um termo inespecífico utilizado para definir uma diminuição do funcionamento dos rins. O diagnóstico de insuficiência renal abrange um vasto espectro de situações clínicas.

Descrição
Se, nalgum ponto do processo de filtragem, o rim é bloquedo, quer devido à sua destruição direta (como no caso da diabetes) ou indireta (como na presença de pedras ), o resultado pode ser a ocorrência de insuficiência renal.

Existem essencialmente dois tipos de insuficiência renal: A insuficiência renal aguda e a insuficiência renal crónica. A insuficiência renal aguda ocorre quando os rins deixam subitamente de filtrar os desperdícios do sangue. A insuficiência renal crónica desenvolve-se lentamente com muito poucos sintomas na sua fase inicial.

Os sintomas variam consoante a gravidade da insuficiência renal, a sua taxa de progressão e a causa que lhe está subjacente. Um doente com insuficiência renal pode não ter sintomas até a função renal ter diminuido para 20 % da função normal ou menos. Nessa altura pode aparecer a seguinte panóplia de sintomas: valores anormais das análises à urina, hipertensão, perda de peso inexplicada, anemia, náuseas, vómitos, sabor metálico na boca, perda de apetite, falta de ar, dores no peito, dorméncia ou formigueiro, confusão, coma, convulsões, hematomas, comichão, fadiga, dores de cabeça, diminuição da urina excretada, cãibras, enfraquecimento ósseo, hemorragias do tracto intestinal, tez castanha amarelada, retenção de líquidos e perturbações do sono.

As causas da insuficiência renal aguda são classificadas em 3 categorias: pré-renais, intra-renais e pós-renais:

- Pré-renais: As causas pré-renais mais frequentes incluem hemorragia grave, desidratação, insuficiência cardíaca grave, abuso de diuréticos e infecção grave

- Intra-renais: A insuficiência renal intrínseca pode advir de uma patologia dos vasos sanguíneos capilares, os glomérulos, dos túbulos ou do interstício renal

- Pós-renal: Este tipo de insuficiência renal é provocada pela obstrução do fluxo da urina para além dos rins. É mais comum nos idosos do sexo masculino que não conseguem urinar convenientemente devido ao aumento de volume da próstata mas qualquer forma de bloqueio da urina constitui um factor de risco. A obstrução pode resultar no bloqueio dos ureteres que drenam a urina dos rins para a bexiga, conduzindo à saturação e distenção dos rins (hidronefrose – que literalmente significa água nos rins), o que potencialmente pode evoluir para a destruição do tecido renal.

A insuficiência renal crónica é consequência de vários processos que conduzem a perda permanente da função renal. As suas causas primárias são a hipertensão e a diabetes, mas também pode ser provocada por uma obstrução urinária e por anomalias do rim como a doença renal policística.
Diagnóstico

Para confirmar a suspeição de insuficiência renal, o médico tem que dispor dos resultados de análises laboratoriais. A análise ao sangue mais utilizada é o doseamento da creatinina. A creatinina é uma molécula normal que se encontra nos nossos músculos. Em condições normais , os rins deveriam extraír a creatinina do sangue e expeli-la. Na presença de algum grau de insuficiência renal é habitual registar-se um aumento da creatinina sérica. É frequentemente o primeiro sinal de insuficiência renal e pode ocorrer mesmo antes do doente se sentir mal.


Tratamento

Insuficiência renal aguda: Na maioria dos casos os rins recuperam pelo menos parte da sua funcionalidade se se corrigir a causa subjacente. Nalguns casos a insuficiência renal aguda é tão grave que é necessario realizar-se diálise (com o aparelho de rim artificial). A diálise pode ir sendo retirada à medida que o rim recupera a sua funcionalidade.

O tratamento da insuficiência renal aguda baseia-se na identificação da causa e na tentativa de a remediar. É suposto a maioria dos doentes recuperarem a função renal se sobreviverem à doença subjacente. Os diuréticos podem ser úteis nas fases iniciais de insuficiência renal aguda pré-renal.

Insuficiência renal crónica: Tal como na insuficiência renal aguda a causa subjacente tem de ser tratada. Os doentes hipertensos têm de tomar a sua medicação e os doentes diabéticos têm de controlar os níveis de glicose no sangue. Felizmente que os rins possuem uma reserva de funcionalidade considerável. Mesmo doentes que tenham perdido até 80 por cento da função renal não precisam de tratamento visto a pequena fracção dos rins que funciona ser suficiente para limpar o organismo. Para os doentes cuja insuficiência renal crónica é tão grave que a função renal residual não é suficiente para os manter vivos, exitem duas opções: a hemodiálise ou a diálise peritoneal. A hemodiálise implica que o doente tenha de ser ligado a um aparelho de diálise, em casa ou num centro de diálise, geralmente três vezes por semana. Na diálise peritoneal um pequeno catéter é colocado cirurgicamente dentro do espaço peritoneal. Através desse catéter o doente introduz no abdomen um líquido que deixa ficar o tempo suficiente para que os produtos residuais provenientes da circulação do sangue sejam filtrados, para depois serem drenados juntamente com o referido líquido.

Quando a função renal decresce para menos de 10 por cento do normal, a abordagem conservadora deixa de ser adequada para controlar os sintomas de insuficiência renal. Quando o doente apresenta sintomas incontroláveis (náuseas e anorexia), níveis de potássio no sangue resistentes ao tratamento médico, pericardite e danificação nervosa, é urgente submetê-lo a diálise.

O transplante renal tornou-se o melhor tratamento para muitos doentes com insuficiência renal avançada. A maioria dos centros têm conseguido taxas de sucesso muito elevadas graças ao desenvolvimento nos últimos dez anos de medicamentos imunossupressores mais específicos e menos tóxicos. Infelizmente o sucesso dos transplantes resultou em longas listas de espera para a obtenção de orgãos provenientes de cadáveres e a maioria dos doentes fica anos a fazer diálise antes de conseguir um orgão para transplante. Esta situação veio dar um destaque particular aos dadores vivos. A vantagem de se conseguir um dador vivo é a possibilidade de se proceder ao transplante com pouco tempo de espera, sendo em muitos casos uma intervenção planeada antes mesmo do doente necessitar de diálise. Para além disso, os resultados dos transplantes de dadores vivos são melhores do que os de dadores mortos.

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