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Feocromocitoma

Tumor da medula adrenal, que produz adrenalina em excesso, sendo causador de hipertensão.

Descrição

As glândulas suprarrenais são glândulas endócrinas de forma triangular localizadas na parte superior dos rins. Cada glândula é constituida por duas regiões distintas: a parte exterior, o córtex, e a parte interior, a medula. A medula é responsável pela produção de epinefrina também conhecida como adrenalina. O córtex produz outras hormonas essenciais para o equilíbrio do sal e dos fluídos no organismo, como a cortisona e a aldosterona. Distúrbios tanto do córtex como da medula podem resultar em hipertensão.

O feocromocitoma é um tumor da medula adrenal que produz adrenalina em excesso. Pode ser mortal por provocar um aumento grave da tensão arterial. Geralmente não é canceroso mas pode estar associado a tumores cancerosos localizados noutras glândulas endócrinas como a tiróide.

O feocromocitoma representa 1% das causas de hipertensão. Não tem preferência de sexo e pode ocorrer em qualquer idade, sendo no entanto mais comum em indivíduos com idades compreendidas entre os 40 e os 60 anos. 90% dos casos são esporádicos. Contudo 10% podem ser de origem hereditária. Estes são mais comuns nas crianças e manifestam-se como neoplasia endócrina múltipla de tipo 2, doença de Von-Hipple-Lindau, neurofibromatose e síndrome hereditária de paraganglioma.

A maioria dos doentes com feocromocitoma sofre de hipertensão. Só 15 a 20 por cento dos doentes têm uma tensão arterial normal. Muito doentes apresentam a clássica tríade de sintomas: Dores de cabeça, transpiração profusa e palpitações. De facto, doentes hipertensos que apresentem estes sintomas têm uma probabilidade de 90% de terem um feocromocitoma. Outros sintomas incluem ansiedade, dor no peito, dores abdominais, cansaço, perda de peso, distúrbios da visão e convulsões.

As crises de hipertensão podem ser súbitas ou duradouras. Os episódios súbitos podem durar menos de uma hora e ocorrer várias vezes por semana ou apenas algumas vezes por ano. As crises são mais frequentes nas mulheres. Podem ser despoletadas por estímulos físicos, emocionais ou farmacológicos tais como o facto de se debruçar, pressão abdominal, medo, o consumo de tabaco, glucaginas e histamina, bem como de alimentos ricos em tiramina (por excemplo cerveja, vinho, queijo).


Diagnóstico

Em caso de suspeita de feocromocitoma, algumas análises padrão são realizadas inicialmente, como sangue e urina de 24 horas, para medir os níveis de catecolaminas e dos seus produtos de degradação. Hoje em dia existe também uma análise bioquímica que mede as metanefrinas do plasma. Tradicionalmente utilizam-se três exames imagiológicos para detectar um feocromocitoma: TAC, ressonância magnética e cintilografia com meta-iodobenzilguanidina.


Tratamento

O tratamento standard do feocromocitoma é a remoção do tumor por cirurgia laparoscópica. Antes da cirurgia, são administrados fármacos como os bloqueadores alfa-adrenérgicos para contrariar o efeito das hormonas e normalizar a tensão arterial.

A cirurgia laparoscópica é uma intervenção minimamente invasiva realizada sob anestesia geral. Se a tensão arterial estiver bem controlada, apenas são necessários 1 a 2 dias de internamento hospitalar e o doente pode retomar a sua vida normal ao fim de duas semanas. A laparotomia tradicional (cirurgia aberta) implica cinco a sete dias de internamento e um período de recuperação de quatro semanas.

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