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Carcinoma do Pénis

Cancro do pénis - Tumor maligno do pénis

Descrição

Os tumores malignos do pénis são felizmente muito raros no nosso país. Actualmente pensa-se que os tumores do pénis sejam provocados por efeitos carcinogénicos (geradores de cancro) de secreções que ficam retidas no prepúcio (dobra de pele que recobre a extremidade do pénis) por não serem limpas regularmente. Não é, por isso, surpreendente que esta patologia seja extremamente frequente na América Latina e nos países do Terceiro Mundo, onde a sáude pública e os hábitos de higiene pessoal são deficientes. Por outro lado, a circuncisão, intervenção que pode melhorar as condições de higiene é pouco frequente nesses países.

No entanto, os cientistas estão a estudar outras possíveis causas de cancro do pénis, em particular o papel do vírus do papiloma humano (VPH), o qual também está relacionado com o cancro cervical (cancro do colo do útero na mulher). Descobriram-se anticorpos de VPH-16, um tipo específico de vírus do papiloma humano, também implicado no cancro cervical, em muitos doentes com cancro do pénis.
Diagnóstico

Por ser tão raro, o diagnóstico precoce do cancro do pénís é também pouco frequente. Os clínicos gerais e até mesmo os urologistas não vêem mais de um caso ou dois em toda a sua vida profissional. Por outro lado os doentes têm alguma relutância e acanhamento em se queixarem, além de terem medo de terem de ser submetidos a uma cirúrgia do pénis.

Mas quanto mais cedo se fizer o diagnóstico mais eficaz será o tratamento e maiores serão as probabilidades de cura. É portanto primordial que qualquer erosão, úlceração, ferida, irritação ou descoloração que se note no prepúcio ou na extremidade do pénis sejam objecto de uma consulta médica e que o doente seja rapidamente avaliado.

Há fortes probabilidades de a maioria destas lesões estarem relacionadas com infecções por bactérias ou fungos ou até com reacções alérgicas, respondendo a tratamentos locais com cremes ou unguentos antibacterianos ou antifúngicos. Mas qualquer excrecência (saliência) que volte a aparecer ou área que não cicatrize deve ser considerada como maligna até prova do contrário. Uma avaliação adequada inclui uma biópsia, ou seja a colheita de tecido para ser examinado ao microscópio.
Tratamento

A detecção precoce e a identificação do cancro do pénis são muito importantes pois os tratamentos que têm fortes possibilidades de serem eficazes envolvem poucos riscos. No caso de o tumor se encontrar à superfície da pele, é muito provável que o urologista possa tratá-lo com uma pomada de uso tópico, praticamente sem efeitos indesejáveis.

Se a lesão fôr maior mas não exceder o tamanho de uma ervilha, poderá proceder-se a uma pequena excisão local ou praticar um tipo de cirurgia que vai extraíndo sequencialmente as camadas de tecido lesionado até chegar ao tecido normal (cirurgia de Moh). Com estas intervenções praticamente não há alteração nem da forma nem da funcionalidade do pénis. Contudo, é primordial efectuar-se um seguimento cuidadoso para identificar uma possível recorrência.

Quando as lesões são maiores é necessário extraír-se áreas de tecido maiores, podendo considerar-se a remoção ou drenagem dos nódulos linfáticos inguinais (das virilhas) para se conseguir a cura. Nestes casos, a associação da cirurgia com radioterapia e quimioterapia pode ser necessária.

Note-se que a radioterapia externa constitui uma terapêutica alternativa, especialmente para lesões pequenas. Também aqui a detecção precoce é fundamental pois, não só garante melhores resultados, como proporciona uma maior diversidade de opções de tratamento.

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