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5.Jul.2011 < Anterior
Tumor maligno da próstata (Cancro da Próstata)

Descrição

O cancro da próstata é um importante problema de saúde pública nos países mais industrializados. A nível mundial, ocupa o terceiro lugar na incidência de doenças oncológicas. O cancro da próstata é diferente da maioria dos cancros pelo facto de uma importante percentagem de homens, sobretudo os mais velhos com uma esperança de vida curta, poderem ter uma forma “silenciosa” desta patologia: durante toda a sua vida, o cancro nunca lhes provocará sintomas nem se expandirá para fora da glândula prostática.

Às vezes o cancro da próstata pode ter um tamanho reduzido, um crescimento lento e apenas acarretar um risco mínimo. Noutros casos pode progredir rapidamente.

Podem definir-se como clinicamente importantes os cancros da próstata que ameaçam o bem-estar ou o tempo de vida dos doentes.

As causas do cancro da próstata são objecto de intensa pesquisa. É provável que diversas causas estejam na sua origem. Afectando predominantemente homens maduros, é raramente diagnosticado antes dos 40 anos mas a partir dessa idade a sua incidência aumenta consideravelmente. Estima-se que 30 a 40% dos homens com idade superior a 50 anos desenvolvam alguma forma de cancro prostático embora só 20 a 25% destes cancros venham a ter significado clínico. No mundo, a incidência de cancro da próstata é muito varíavel consoante a zona geográfica. É maior na América do Norte e nos países nórdicos da Europa e menor nos países asiáticos. Embora algumas destas diferenças possam ser atribuíveis ao desenvolvimento de programas de rastreio e ao risco existente para outras doenças nalgumas regiões, é provável que, em parte, se devam a uma predisposição genética, aos hábitos alimentares e outros factores ambientais.

Os homens com antecedentes familiares de cancro da próstata apresentam um risco acrescido de desenvolver a doença: Estima-se que esse risco seja 2 a 11 vezes superior ao dos indivíduos sem história familiar da doença.

Existem alguns indicadores de que o estilo de vida ocidental esteja associado a um maior risco de cancro da próstata mas não se sabe bem que factor ou factores específicos deste estilo de vida podem estar directamente implicados: ingestão excessiva de calorias, ingestão excessiva de gorduras e açucar refinado, ingestão reduzida de frutas e legumes, falta de exercício físico, ou obesidade de um modo geral... Está contudo provado que a obesidade acarreta um maior risco de morte por cancro da próstata.


Diagnóstico

Actualmente o toque rectal e a análise do PSA são os principais meios de diagnóstico para a detecção do cancro da próstata. A idade a partir da qual se deve começar a fazer o despiste ainda não foi claramente definida mas a European Association of Urology (Associação Europeia de Urologia) recomenda que os homens com mais de 45 anos e esperança de vida superior a 10 anos se submetam a um toque rectal e efectuem uma análise do PSA.

Toque rectal: O toque rectal é um exame físico em que o médico faz a palpação da próstata com o dedo através da parede do recto.

Esta palpação permite que o médico detecte um eventual aumento de volume da próstata, alguma alteração da sua consistência ou a presença de irregularidades na sua superfície. Mas este exame só revela tumores palpáveis pelo que deverá ser acompanhado por uma análise do PSA.

PSA: A análise do PSA complementa o toque rectal e aumenta a probabilidade de se detectar o cancro da próstata. Trata-se de uma análise ao sangue cuja colheita é geralmente efectuada numa veia de um dos braços, que mede o nível de PSA, uma substância unicamente produzida pela próstata, existente na corrente sanguínea. Pode ser efectuada num laboratório de análises clínicas, num hospital ou num consultório médico.

É aconselhável que este exame seja efectuado antes do toque rectal e de qualquer instrumentalização das vias urinárias. Como a ejaculação pode aumentar transitoriamente o nível do PSA, deve evitar-se ter relações sexuais 24 a 48 horas antes.

Uma próstata saudável liberta quantidades mínimas de PSA para a corrente sanguínea mas algumas doenças da próstata podem provocar a libertação de quantidades superiores de PSA. Uma da causas possíveis de aumento do nível do PSA é a hiperplasia benigna da próstata. A inflamação da próstata, chamada prostatite, é outra causa comum de subida do PSA tal como uma ejaculação recente. O cancro da próstata é a causa mais grave de aumento do PSA. A frequência com que se deve fazer a análise do PSA ainda involve alguma controversia. A Associação Europeia de Urologia (European Association of Urology) preconiza que os homens com idade superior a 45 anos façam regularmente análises do PSA. Nos casos em que o toque rectal inicial tenha sido normal e o nível de PSA igual ou inferior a 1,0 ng/ml, defende que o rastreio pode só ser efectuado de 8 em 8 anos. No entanto, a desvantagem da baixa frequência dos exames é que limita a possibilidade de se detectar uma subida rápida do PSA, o que pode ser indicador de cancro da próstata agressivo, embora tal seja muito raro em homens com níveis de PSA tão baixos. Recentemente foram introduzidos vários aperfeiçoamentos na análise do PSA, numa tentativa de se distinguir com exactidão os casos de cancro da próstata dos falsos positivos que apresentam aumentos do PSA devidos a outras causas, como a hiperplasia benigna da próstata. Estes novos desenvolvimentos consistem na densidade do PSA, na velocidade do PSA, no uso de tabelas de referência consoante a idade e nas percentagens de PSA livre e PSA total.

Actualmente recomenda-se que a detecção precoce seja efectuada por meio do toque rectal e da análise do PSA simultaneamente. É importante ter em conta o facto de que, na maioria dos casos, uma anomalia num destes exames não é devida a cancro mas sim a uma situação benigna, como a HBP ou a prostatite.
 

Biópsia:

A melhor forma de se efectuar uma colheita de tecido prostático é através da utilização de uma pistola automática de impulsão a mola acoplada a uma sonda de ecografia transrectal, que permite que o médico visualize num monitor o local exacto onde pretende efectuar a colheita. O procedimento pode ser efectuado num consultório ou em meio hospitalar ambulatório (sem necessidade de internamento). É necessária a administração prévia de um antibiótico. Este antibiótico, tomado duas horas antes da biópsia, permite limitar o risco de infecção urinária após o exame.

Com o doente deitado de lado, o médico introduz no recto a sonda ecográfica devidamente lubrificada e á qual está acoplada uma pistola automática de impulsão a mola que executa um disparo rápido de uma agulha através de uma guia metálica. A agulha é composta por um núcleo cortante que, com um movimento rápido de impulsão permite a retirada, praticamente indolor, de uma pequena porção de tecido prostático. Esse tecido é em seguida retirado do núcleo da agulha e enviado para estudo histopatológico. Geralmente são efectuadas 10 a 12 biópsias. O procedimento dura 20 a 30 minutos.


Tratamento

Quando a biópsia confirma o diagnóstico de carcinoma da próstata, o médico tem de classificar a doença para determinar a extensão do cancro (definir o estadio T) e saber se se expandiu para além da glândula próstática para os tecidos circundantes, as vesículas seminais, os nódulos linfáticos e ou os ossos. O estadio T é estabelecido através do toque rectal e de exames imagiológicos da glândula prostática e dos tecidos circundantes, como a ecografia, a TAC e a ressonância magnética.

O estadiamento do cancro da próstata vai condicionar o seu tratamento:

Estadio T1a: Tumor detectado como achado fortuito em 5% ou menos de tecido ressecado

Tratamento:

A vigilância activa é o tratamento convencional para tumores bem ou moderadamente diferenciados em doentes com esperança de vida inferior a 10 anos. Em doentes com esperança de vida superior a 10 anos, aconselha-se um re-estadiamento por meio de ultrassonografia transrectal e biópsia

A prostatectomia radical (ablação cirúrgica da próstata) pode constituir uma opção em doentes jovens com longa esperanca de vida, particularmente em tumores pouco diferenciados

A radioterapia pode constituir uma opção nos doentes mais jovens com longa esperança de vida, particularmente em tumores pouco diferenciados.

Estadio T1b: Tumor detectado como achado fortuito em 5% ou menos tecido ressecado endoscopicamente

Estadio T2b: Tumor detectado como achado fortuito em mais de 5% de tecido ressecado endoscopicamente

Tratamento:

Vigilância activa: Em doentes assintomáticos com tumores bem ou moderadamente diferenciados e esperança de vida inferior a 10 anos; em doentes que não estejam dispostos a suportar complicações decorrentes do tratamento

Prostatectomia radica: Em doentes com esperança de vida superior a 10 anos que aceitem sujeitar-se a eventuais complicações decorrentes do tratamento

Radioterapia: Em doentes com esperança de vida superior a 10 anos que prefiram ser tratados por radioterapia e aceitem as complicações inerentes; em doentes com contra-indicação para cirurgia; em doentes inadequados, com esperança de vida de 5-10 anos e tumores pouco diferenciados

Terapêutica hormonal: Em doentes sintomáticos inadequados para tratamento curativo

Terapêutica hormonal + radioterapia: Pode beneficiar os doentes com tumores pouco diferenciados

Estadio T3: Tumor que se estende através da cápsula prostática

Estadio T4: Tumor fixo ou que invade estruturas adjacentes (excepto vesículas seminais): colo vesical, esfíncter externo, recto, elevador do ânus e/ou fixo à parede pélvica

Tratamento:

Vigilância activa: Opção em doentes assintomáticos com tumores T3 bem ou moderadamente diferenciados e esperança de vida inferior a 10 anos

Prostatectomia radical: Opção para doentes seleccionados com tumores T3 pequenos, PSA inferior a 20 ng/ml, grau de Gleason inferior a 8 e esperança de vida superior a 10 anos

Radioterapia: Em doentes T3 sem metástases nos gânglios linfáticos, com esperança de vida superior a 5-10 anos

Terapêutica hormonal: Em doentes com sintomas, tumores extensos, PSA elevado e inadequados para tratamento curativo

Terapêutica hormonal + radioterapia: Pode beneficiar os doentes com indicação para radioterapia

Estadio Nx: Não se podem avaliar os gânglios linfáticos regionais

Estadio: M0: Sem evidência de metástases à distância

Tratamento:

Vigilância activa: Em doentes assintomáticos ou por opção do doente

Terapêutica hormonal: É o tratamento “standard” (convencional)

Prostatectomia radical: Não é uma opção “standard” mas pode ser considerada

Radioterapia: Não é uma opção “standard” mas pode ser considerada

Terapêutica hormonal + radioterapia: Não é uma opção “standard” mas pode ser considerada

Estadio M+: Presença de metástases à distância

Tratamento:

Terapêutica hormonal: É o tratamento “standard”

Vigilância activa: Não é uma opção “standard” mas pode ser considerada (requer que o doente não tenha sintomas, esteja bem informado e seja susceptível de boa adesão ou seja que possa cumprir o plano de exames e consultas)


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